natal

•dezembro 29, 2011 • Deixe um comentário

 

deitada no sofá, virei para o lado

e descobri, ali naquele canto, que papai noel não existia

 

26 de novembro de 2011

•dezembro 18, 2011 • Deixe um comentário

 

acordei hoje com a seguinte sms:

casamento é uma soma de afetos, uma subtração de liberdades, uma multiplicação de problemas e uma divisão de bens.

número de origem: um 061 jamais antes visto…

 

grampos

•dezembro 13, 2011 • Deixe um comentário

 

ela deixava grampos em todos os cantos da casa e estava sempre a reclamar da falta de grampos. de seus longos cabelos loiros paravam sempre de dois em dois na bandeja das bebidas, ao lado do saleiro, na mesa de centro, na pia do banheiro e no meio dos lençóis.

 

15 de novembro de 2011

•novembro 15, 2011 • Deixe um comentário

 

Não sei exatamente o que significa, mas às vezes fecho os olhos e ouço aquelas músicas todas que, embora possa ouvir novamente, jamais soarão igual. Os timbres do coração e da lembrança são definitivamente outros. 

 

pequena história sociológica do século XX

•novembro 5, 2011 • Deixe um comentário

A grande pergunta da contemporaneidade:

Por que os hippies permaneceram e os punks não?

Simples. O punks batiam nos hippies, que por isso se associaram e mereceram proteção do Estado que, por sua vez, dizimou os punks que, por fim, ficaram apenas como memória distante da história sociológica do século XX.

madalena e victoria

•outubro 12, 2011 • Deixe um comentário

 

Um dia uma ficou bronzeada além da conta e teve que ouvir a outra caçoar-lhe durante o resto do verão. Tinham sete.

Antes, brincavam de jornalista e detetive, de cantar paquitas e fazer cabanas.

Desde os tempos imemoriais, na época pré-piolho, passando por uma contingente sucessão analógica de namorados, simultaneidade de doenças e empregos abandonados em empresas de grande porte, suas vidas eram estranhamente conectadas.

Adolescentes, separaram-se por ano e meio, distanciadas por uma serra do mar e outro bocado de cerrado.

Mais tarde um pouco, foi por quilômetros de terra e depois oceano.

E brigas, bate-bocas, um arranhãozinho logo abaixo do olho. E brigadeiros, noites em claro, sereias na piscina.

A vida passava e tinham 40 com três filhos que se misturavam, mal sabendo quem era de quem. Em 20 vinham netos, poucos, pois não eram moças de bolos e missas não. Eram sim de jantares e filmes e conversas infindáveis sobre qualquer séria futilidade que porventura lhes atinasse a atenção e que não seguiam a menor lógica ou padrão.

Ninguém sabia os segredos e planos que tinham aquelas meninas.

 

11 de outubro de 2011

•outubro 12, 2011 • Deixe um comentário

 

a casa é algo de muito legal mesmo… não consigo sair dela!

 

5 de outubro de 2011

•outubro 5, 2011 • Deixe um comentário

 

um dia

ainda fujo daqui e de todo o resto

 

uma janela

•outubro 4, 2011 • Deixe um comentário

 

certo tempo parecia que tudo eram flores por lá. gente entrava e saía, luzes brilhavam noite adentro e tilintares de muitos copos preenchiam o vão central. foi diminuindo, diminuindo, até que o silêncio tomou lugar das óperas dominicais e apareceu o primeiro furo na cortina. ficou lá durante muitos anos mostrando o corredor imenso em cujo fundo era possível ainda ver apenas uma porta aberta, para um quarto vazio. 

depois as noites voltaram, trazendo a cada dia novas vozes e tocando cada dia música pior. o furo revelava todo dia uma nova cor, um novo objeto impossível de identificar. mas as cores não alegravam não. ao contrário, pareciam sufocar em uma latência de alguma explosão que deixaria em algum momento tudo silencioso novamente. 

e assim foi. um belo dia, já não havia mais nada. apenas destroços pálidos, restos de um amontoado de significados sobrepostos que pouco ou nada mais diziam. até que outros barulhos tomaram conta do lugar. martelos, batidas entrecortadas de novos silêncios e mais batidas, que ora vinham de um cômodo, ora de outro. novas cortinas foram montadas e cheguei a ver no reflexo da parede um gato. em algum momento, pensei mesmo ter visto dois. 

uma nova era começava na minha pequena novela particular e nunca pude dizer o quanto pensei sobre aquela vida tão próxima e desconhecida. 

 

duda

•setembro 4, 2011 • Deixe um comentário

 

Doçura era sua grande arma inconsciente contra todos os males da vida.

Uma vida difícil como todas, tranquila como muitas.

Delicadamente vivia a juntar cacos das coisas que foram, a fim de criar novos rejuntes que se movimentassem constantemente para seguirem colando pontas impossíveis.

Assim sorria a inocência e alegria de acordar novamente todos os dias.

 

 
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