madalena e victoria
Um dia uma ficou bronzeada além da conta e teve que ouvir a outra caçoar-lhe durante o resto do verão. Tinham sete.
Antes, brincavam de jornalista e detetive, de cantar paquitas e fazer cabanas.
Desde os tempos imemoriais, na época pré-piolho, passando por uma contingente sucessão analógica de namorados, simultaneidade de doenças e empregos abandonados em empresas de grande porte, suas vidas eram estranhamente conectadas.
Adolescentes, separaram-se por ano e meio, distanciadas por uma serra do mar e outro bocado de cerrado.
Mais tarde um pouco, foi por quilômetros de terra e depois oceano.
E brigas, bate-bocas, um arranhãozinho logo abaixo do olho. E brigadeiros, noites em claro, sereias na piscina.
A vida passava e tinham 40 com três filhos que se misturavam, mal sabendo quem era de quem. Em 20 vinham netos, poucos, pois não eram moças de bolos e missas não. Eram sim de jantares e filmes e conversas infindáveis sobre qualquer séria futilidade que porventura lhes atinasse a atenção e que não seguiam a menor lógica ou padrão.
Ninguém sabia os segredos e planos que tinham aquelas meninas.
