madalena e victoria

 

Um dia uma ficou bronzeada além da conta e teve que ouvir a outra caçoar-lhe durante o resto do verão. Tinham sete.

Antes, brincavam de jornalista e detetive, de cantar paquitas e fazer cabanas.

Desde os tempos imemoriais, na época pré-piolho, passando por uma contingente sucessão analógica de namorados, simultaneidade de doenças e empregos abandonados em empresas de grande porte, suas vidas eram estranhamente conectadas.

Adolescentes, separaram-se por ano e meio, distanciadas por uma serra do mar e outro bocado de cerrado.

Mais tarde um pouco, foi por quilômetros de terra e depois oceano.

E brigas, bate-bocas, um arranhãozinho logo abaixo do olho. E brigadeiros, noites em claro, sereias na piscina.

A vida passava e tinham 40 com três filhos que se misturavam, mal sabendo quem era de quem. Em 20 vinham netos, poucos, pois não eram moças de bolos e missas não. Eram sim de jantares e filmes e conversas infindáveis sobre qualquer séria futilidade que porventura lhes atinasse a atenção e que não seguiam a menor lógica ou padrão.

Ninguém sabia os segredos e planos que tinham aquelas meninas.

 

~ por Inês em outubro 12, 2011.

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